litur

todastoptercas



Erro
  • JFile: :copy: Não foi possível encontrar ou ler o arquivo: $http://www.rccbrasil.org.br/imagens/images/Espiritualidade/abr2015/nosbraos03.jpg
  • JFile: :copy: Não foi possível encontrar ou ler o arquivo: $http://rccbrasil.org.br/imagens/images/Espiritualidade/maio2013/domalberto.jpg
  • JFile: :copy: Não foi possível encontrar ou ler o arquivo: $http://www.rccbrasil.org.br/imagens/images/Espiritualidade/abr2015/nosbraos03.jpg
  • JFile: :copy: Não foi possível encontrar ou ler o arquivo: $http://rccbrasil.org.br/imagens/images/Espiritualidade/maio2013/domalberto.jpg

“Se tivermos a coragem seremos para o mundo as surpresas de Deus”

Postado em Neutra

altA vida cristã passa de novidade em novidade, já que Deus não se repete e tem a oferecer a infinita criatividade do amor, com a qual aponta a bússola de nossa existência para a plenitude da eternidade. Tudo isso se encontra presente na grande virada de página da história, quando a escuridão, a morte e o pecado foram definitivamente vencidos pela Ressurreição de Jesus Cristo. Daí para frente, trata-se de anunciar a todos esta realidade e tirar todas as consequências para a vida das pessoas. Esta convicção faz com que o zelo missionário da Igreja busque os métodos adequados a cada tempo, a fim de que todas as pessoas acolham a Boa Notícia do senhorio de Jesus Cristo.

Cristo ressuscitou! Ressuscitou de verdade! É a experiência feita pelos cristãos de todos os tempos, no rastro da recomendação feita por São Paulo ao seu amigo Timóteo, "Diante de Deus e do Cristo Jesus que vai julgar os vivos e os mortos, eu te peço com insistência, pela manifestação de Cristo e por seu reinado: proclama a Palavra, insiste oportuna ou inoportunamente, convence, repreende, exorta, com toda a paciência e com a preocupação de ensinar. Pois vai chegar um tempo em que muitos não suportarão a sã doutrina, mas conforme seu gosto se cercarão de uma série de mestres que só atiçam o ouvido. E assim, deixando de ouvir a verdade, eles se desviarão para as fábulas. Tu, porém, vigia em tudo, suporta as provações, faze o trabalho de um evangelizador, desempenha bem o teu ministério" (2 Tm 4, 1-5).

Já no "primeiro dia da semana", tudo começou a ficar diferente, pois o Ressuscitado se manifestou de várias formas. Uma verdadeira revolução aconteceu na vida das pessoas que o encontraram, bastando verificar suas reações. Se para alguns pareceu um jardineiro (Cf. Jo 20, 11-18), para outros um andarilho (Cf. Lc 24, 13-35) um pescador desconhecido, capaz de preparar pão e peixe para acolher amigos (Cf. Jo 21, 1-14), ou até um fantasma (Cf. Lc 24, 35-48), uma das narrativas oferecidas por São João (Cf. 20, 19-31) descreve de forma magnífica as surpresas e descobertas daquele grupo temeroso, destinado pela Providência divina a assumir a imensa tarefa do anúncio do nome de Jesus Cristo.

O ambiente era de medo! Medo dos que haviam conduzido Jesus à morte, medo das ameaças que pairavam sobre eles mesmos, insegurança total. A surpresa inicial foi que Jesus se mostrou vivo e passou pelas portas fechadas. É que todas as portas são escancaradas a partir da Ressurreição do Senhor. Não há mais problemas sem solução, nem barreiras intransponíveis. Quem se abriga debaixo dos braços da Cruz e depois faz o caminho dali para o Cenáculo das aparições do Cristo ressuscitado, vence a escuridão, o pavor da vida e dos desafios que possa oferecer.

A seguir, para aqueles homens e com eles as sucessivas gerações de cristãos vem o anúncio da paz! A humanidade desde sempre e até hoje se acostumou a enfrentar seus eventuais conflitos com violência, negociação trabalhosa, acordos muitas vezes frágeis, preparação para a guerra, ameaças e riscos para todas as partes envolvidas. E vem alguém que repetidamente diz "A paz esteja convosco". Parece fácil! No entanto, a paz é anunciada e tornada presente, diante de olhos atônitos, através das chagas gloriosas abertas e mostradas com clareza. A surpresa é que justamente quando alguém entra lá dentro das chagas existentes na vida e na humanidade, e o faz com o mesmo amor que jorra da Cruz de Cristo, brota também em sua vida e no mundo a paz (Cf. Jo 7, 38-39). Andaremos inquietos e infelizes enquanto não tivermos a coragem de olhar o mundo e as pessoas do lado de dentro das chagas de Cristo, e isso quer dizer olhar com amor. Nele se encontra nossa paz e a paz para o mundo.

Surpresa! Como na criação do mundo Deus soprou sobre a matéria inerte seu hálito de vida, a nova criação realizada na morte e ressurreição de Cristo só pode vir com o sopro do Espírito Santo! Vem de fora, do alto, como dom de Deus! E todas as pretensões humanas de vencer por própria conta, dar mil palpites sobre tudo, caem por terra e se abre o tempo do Espírito Santo, dom do Cristo Ressuscitado. Quem se deixa "soprar" com o hálito do Ressuscitado (Cf. Jo 3, 1-8) nasce de novo, começa sempre de novo, com a inesgotável coragem nascida da Páscoa de Cristo.

E ao soprar sobre seus discípulos, Jesus lhes entrega um poder que sara todas as feridas do mundo, o do perdão: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos" (Jo 20, 22-23). Justiceiros de plantão ficam desempregados, ardores de vingança se apagam, contas a pagar são canceladas e nasce o abraço da reconciliação! Tudo com um sopro! Perdão quer dizer superar julgamentos e não desistir dos outros nem de nós mesmos. Perdão é considerar mais importante a pessoa que caiu do que suas eventuais falhas e pecados. Perdão é acolher com um novo olhar as fragilidades uns dos outros. Numa palavra, perdão é misericórdia, coração apaixonado pela miséria das pessoas e do mundo! Neste final de semana, a Igreja celebra justamente a Festa da Divina Misericórdia! E o Papa Francisco publica a convocação do Ano Santo da Misericórdia, Jubileu especial para espalhar o perdão, a ser celebrado a partir da Solenidade da Imaculada Conceição de 2015!

Os detalhes da experiência feita pelos apóstolos não se esgotam, pois um deles, Tomé, homem ao mesmo tempo da dúvida e da fé, entrou em cena em nosso nome e conosco, para garantir o nosso assento na festa da misericórdia e do perdão. Nosso convite e o "bilhete" gratuito de entrada tem escrito assim: "Bem-aventurados os que não viram, e creram!" (Jo 20, 29). Sintamo-nos acolhidos, com todas as nossas cargas pessoais sobre os ombros. Venham conosco as situações sociais nas quais nos envolvemos, os pesos de uma sociedade marcada pelas cobranças recíprocas, para a qual perdão e misericórdia significam fraqueza. Se tivermos a coragem de fazer a experiência da presença do Cristo Ressuscitado, seremos uns para os outros e para o mundo as surpresas de Deus.

alt

 
"Surpresas"
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL

Mensagem do Padre

Postado em Neutra

A vocação dos idosos

avo03No dia vinte e seis de julho, comemoração de São Joaquim e Sant'Ana, pais da Virgem Maria, fazemos festa para os avós, homens e mulheres com uma missão importante e essencial nas famílias e na sociedade. E o grande Papa Francisco, quando lhe perguntaram sobre os celulares com os quais jovens de todas as idades querem fazer "selfies" com ele, disse sentir-se bisavô! Nas Filipinas, foi chamado "Lolo Kiko" — ou seja, vovô Francisco. E recentemente, numa série de catequeses sobre a família, dedicou duas delas aos avós e aos idosos em geral, das quais recolhi ensinamentos que me apraz oferecer aos leitores (Cf. Catequeses do Papa Francisco nos dias quatro e onze de março de dois mil e quinze), em homenagem a tanta sabedoria que se esconde e se manifesta nos cabelos brancos.

Constata o Papa que, graças aos progressos da medicina, a vida prolongou-se, mas nossas sociedades não se organizaram suficientemente para deixar espaço aos idosos, com o justo respeito e a concreta consideração pela sua fragilidade e dignidade. Quando jovens, somos levados a ignorar a velhice, como se fosse uma enfermidade da qual nos devemos manter à distância; depois, quando envelhecemos, especialmente se somos pobres, doentes e sós, experimentamos as lacunas de uma sociedade programada sobre a eficácia que, consequentemente, ignora os idosos. Mas os idosos são uma riqueza, não podem ser ignorados!

No Ocidente, os estudiosos apresentam nosso século como o século do envelhecimento, pois os filhos diminuem e os anciãos aumentam. Este desequilíbrio é um grande desafio. Uma cultura do lucro insiste em fazer com que os idosos pareçam um peso, pois não só não produzem, mas chegam a ser uma carga, e devem ser descartados. Há algo de vil neste habituar-se à cultura do descartável. E nós nos habituamos a descartar as pessoas. Queremos remover o nosso elevado medo da debilidade e da vulnerabilidade; mas agindo deste modo, aumentamos nos anciãos a angústia de serem mal tolerados e até abandonados.

Conta o Papa: "Quando eu era criança, um dia a minha avó narrou-me a história de um avô que se sujava quando comia, porque não conseguia levar bem a colher de sopa à própria boca. E o filho, ou seja o pai de família, decidiu tirá-lo da mesa comum e mandou fazer-lhe uma mesinha na cozinha, onde não se via, para ali comer sozinho. Assim, não faria má figura quando os amigos viessem almoçar ou jantar. Poucos dias depois, chegou em casa e encontrou o seu filho pequeno brincando com um pedaço de madeira, um martelo e alguns pregos; construía algo, e o pai disse-lhe: 'Mas o que fazes? — Faço uma mesa, pai. — Uma mesa, por que? — Para que esteja pronta quando tu envelheceres, assim poderás comer aí!'. As crianças têm mais consciência que nós!"

Na tradição da Igreja, assim como em povos de nosso tempo com respeito cultivado aos mais velhos, existe uma bagagem de sabedoria que sempre sustentou a proximidade aos anciãos e seu acompanhamento. A raiz está na Sagrada Escritura: Esta tradição está arraigada na Sagrada Escritura: "Não desprezes alguém na sua velhice, pois nós também ficaremos velhos. Não te escape o que contam os velhos, pois eles o aprenderam de seus pais: deles aprenderás a inteligência e a arte de responder na hora oportuna" (Eclo 8, 7.11-12).

Impressionou-me a abertura de coração do Papa: "Nós, idosos, somos todos um pouco frágeis. No entanto, alguns são particularmente débeis, muitos vivem sozinhos, marcados por uma enfermidade. Outros dependem de curas indispensáveis e da atenção dos outros. Daremos por isso um passo atrás, abandonando-os ao seu destino? Uma sociedade sem proximidade, onde a gratuidade e o afago sem retribuição começam a desaparecer, é uma sociedade perversa. Fiel à Palavra de Deus, a Igreja não pode tolerar estas degenerações. Uma comunidade cristã em que a proximidade e a gratuidade deixassem de ser consideradas indispensáveis perderia juntamente com elas também a sua alma. Onde não há honra pelos idosos não há porvir para os jovens". E o Papa estimulou os sentimentos adequados a serem cultivados, a gratidão, o apreço e a hospitalidade, que levem as pessoas idosas a se sentirem parte viva da família e da comunidade.

Para ele, devemos despertar o sentido comunitário de gratidão, de apreço e de hospitalidade, que levem o idoso a sentir-se parte viva da sua comunidade, pois são homens e mulheres, pais e mães que antes de nós percorreram o nosso próprio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha diária por uma vida digna. O idoso somos nós: daqui a pouco ou daqui a muito tempo, inevitavelmente, embora não pensemos nisto.

Ensina o Papa que o Senhor nos chama a segui-lo em todas as fases da vida. Para ele, a velhice é uma vocação! Ainda não chegou o momento de se resignar. Para ele, trata-se de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas, e não faltam testemunhos de santos e santas idosos! No mês de outubro, pela primeira vez, simultaneamente, um casal de pais de família será canonizado, durante o Sínodo da Família. Trata-se dos pais de Santa Teresinha, Luís e Zélia Martin, exemplo de santidade vivida no matrimônio, que educaram os filhos no caminho da santidade. Em tempos de família em crise, justamente a santidade de um casal que percorreu exemplarmente os passos da fidelidade à própria vocação se torna um presente da Igreja ao mundo!

Ainda o Papa, falando sobre a família, oferece uma imagem muito bonita, tirada o Evangelho de São Lucas (Cf. Lc 2, 25-39): é a imagem de Simeão e Ana. Certamente eram idosos, o velho Simeão e a profetisa Ana, que tinha oitenta e quatro anos, uma mulher não escondia a sua idade! Todos os dias esperavam a vinda de Deus, havia muitos anos. Este era o seu compromisso: esperar o Senhor e rezar. Ao encontrarem Maria, José e o Menino, eles reconheceram o Menino e descobriram uma nova força, para uma renovada tarefa: dar graças e testemunhar este Sinal de Deus. Dar graças, interceder, purificar o coração pela oração! É a recomendação do Papa aos idosos. Precisamos de anciãos que orem, pois a velhice nos é oferecida precisamente para isto. A oração dos idosos é bonita! E como é bonito o encorajamento que o ancião consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da fé e da vida! "Esta é verdadeiramente a missão dos avós, a vocação dos idosos! Como gostaria de uma Igreja que desafia a cultura do descartável com a alegria transbordante de um novo abraço entre jovens e idosos! E é isto, este abraço, que hoje peço ao Senhor", concluiu o Papa Francisco. Confio à proteção de São Joaquim e de Sant'Ana o tesouro que são os avós na Igreja e na sociedade.

untitled2
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL